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Prof. Mgs. Denis Porto Ren

Resumen
Las discusiones sobre la reconstrucción de la ciudadania por los medios de comunicación ganaran fuerza con el advento de las nuevas tecnologías digitales. Las miradas criticas sobre la aldea global defendida por McLuhan cambiaran con una nueva evaluación y nuevos conceptos fueran absorvios por las líneas que estudian el tema. Ahora, las ideas ganaran oposiciones mediaticas, con el surgimiento de ambientes de contenido. Esto artículo presenta a través de conceptos folk-comunicacionales, una analise bibliografica y cuantitativa de la utilización del YouTube como herramienta de reconstrucción de la ciudadania por los grupos marginalizados.

Palabras-llave: Comunicación, ciudadanía, vídeo popular, folk-comunicación, YouTube.


Introdução
Compreende-se que a comunicação pode fortalecer ou enfraquecer os traços de uma sociedade. Se olhar-se pelo ângulo da Escola de Frankfurt, as estruturas midiáticas transformam a sociedade em reféns das classes dominantes, que buscam manipular hábitos, costumes e ideologias de acordo com seus interesses políticos e comerciais. De fato, isso acontece, como pode-se perceber com os resultados homogêneos da aldeia global Mcluhiana, onde manipulações políticas, sociais e culturais ganharam aliados potentes e ágeis, com uma nova concepção de comunicação massiva, tanto no quesito plataforma como no linguagem. As estruturas midiáticas ganharam uma nova presença no cotidiano da sociedade e as doutrinas políticas tornaram-se mais intensas. Com isso, os latino-americanos tornaram-se ainda mais reféns da manipulação cultural à qual já tornara-se vítima desde o surgimento destas sociedades, sempre combatendo tais atitudes manipulatórias com os gritos e as tradições sociais.
Porém, forças de combate surgem através da folkcomunicação, que ganha impulsos com ambientes midiáticos modernos, como o YouTube, onde qualquer pessoa pode publicar seus vídeos de protesto, tornando-os públicos e disponíveis na própria aldeia global. Talvez por este ângulo as idéias de McLuhan passem a se tornar positivas, pois com o advento da comunicação digital e das novas tecnologias a cidadania ganhou um novo aporte: o da comunicação em massa.
Este artigo apresenta discussões a respeito da reconstrução da cidadania latino-americana através de vídeos disponibilizados no YouTube, tendo como ponto de partida conceitos de folkcomunicação, teoria que explica os métodos comunicacionais das classes marginalizadas, e de produção de vídeos populares. Por fim, estuda-se, através de uma metodologia de pesquisa qualitativa, a condição em volume em que se encontram vídeos que possibilitam uma reconstrução cidadã da América Latina no sítio YouTube. Espera-se, com os resultados desta pesquisa, compreender os caminhos que podem seguir a reconstrução da cidadania em tempos de aldeia global, se é que ela existe de fato.

Conceitos folkcomunicacionais
A teoria que estuda os processos comunicacionais promovidos pelas idéias e a cultura popular da classe subalterna são definidos por Beltrão (2001, p.58) como Folkcomunicação. Tal conceito foi proposto por Luiz Beltrão em sua tese de doutoramento, em 1967, na Universidade de Brasília. Para Beltrão, a folkcomunicação situa-se entre os estudos sobre folclore e comunicação de massa, ou seja, entre os resgates sobre a cultura popular e as formas comunicacionais. Esses processos chamados folkcomunicacionais utilizam-se de um mediador entre o emissor e o receptor, como segue:

Para que a mudança se verificasse, uma outra influência se colocava entre os meios e o grupo afetado – a influência do “líder de opinião” – personagem quase sempre do mesmo nível social e de franco convívio com os que se deixavam influenciar, tendo sobre eles uma vantagem: estavam mais sujeitos nos meios de comunicação do que os seus liderados. Conheciam o mundo – isto é, haviam recebido e decodificado as mensagens dos meios, transmitindo-as em segunda mão ao grupo com o qual se identificavam (BELTRÃO In HOHLFELDT & GOBBI, 2004: 44)

Este mediador, chamado líder de grupo, absorve a mensagem, re-processa de acordo com sua percepção e repassa para o receptor, de seu grupo social. Tais mensagens encontram-se especialmente na indústria cultural, e são filtradas pelo líder. Esses líderes conquistam naturalmente tal responsabilidade, graças à credibilidade dos mesmos em suas comunidades. Segundo Beltrão (HOHLFELDT & GOBBI, 2004: 46), “essa conquista de liderança está intimamente ligada à credibilidade que merece no seu ambiente e à habilidade do agente comunicador de codificar a mensagem ao nível de entendimento dos seus receptores”.

Os processo comunicacionais ganharam força de desigualdade com a aldeia global, onde as sociedades mais poderosas passaram a dominar estes processos. Tais desigualdades estão intensamente presentes na América Latina, onde os norte-americanos e os países europeus possuem força determinante. De acordo com as idéias de Canclini (2002: 60):

La expansión econômica y comunicacional propiciada por las industrias culturales no beneficia eqüitativamente a todos los países, ni regiones. Decíamos que en el intercambio mundial de bienes culturales, América Latina se queda apeas con el 5 por ciento de las ganancias. Es interesante correlacionar la disctribución económica de los beneficios comunicacionales con la distribución geolinguística: el español es la tercera lengua mundial por número de hablantes, alredeor de 400 millones si se incluyen los 35 millones de hispanohablantes en Estados Unidos.

Com os efeitos da globalização e dos movimentos neoliberais, onde a cultura subalterna perde cada vez mais sua força, tornou-se necessária a observação de suas manifestações, pois somente dessa forma pode-se monitorar sua condição.

Olhares sobre os efeitos da aldeia global
A aldeia global de McLuhan trouxe promessas, que aos olhos de Santos (1999) integrou de forma substancial o século das promessas não cumpridas. Naquele período, o século XX, dizia-se que os cidadãos ficariam mais próximos, cultos e teriam um inter-relacionamento mais eficaz e intenso. Porém, como criticou Beltrán (SOARES In MARQUES DE MELO & BRITTES, 1998), muitos dos povos latino-americanos não faziam parte dessa aldeia, em plena moda McLuhiana de meados dos anos 80, e que, dessa forma, a aldeia nunca seria global.

A crítica veio, basicamente, da América Latina, assegura o texto. E não apenas aos paradigmas tradicionais, mas também aos discursos modernos, como os de McLuhan: ‘Os latino-americanos não estão certos de que o mundo se converteu numa aldeia global principalmente porque milhões deles não têm acesso algum a qualquer meio de comunicação de massa’. (SOARES In MARQUES DE MELO & BRITTES, 1998: 67)

Para Beltrán, o efeito de aldeia global serviria, de fato, para neutralizar a diversidade cultural existente nos povos latino-americanos, facilitando, assim, a construção de um mercado de consumo. Se todos pensam da mesma forma, o consumo é igual, homogêneo, assim como a linguagem para instigar este consumo. A grande massa perde suas identidades, substituindo-as por uma única, “enxertada” na personalidade dos pertencentes à aldeia global de McLuhan. E reforça tais críticas aos conceitos comunicacionais de origem aristotélica, defendida pelo próprio Schramm, ao lado de diversos outros teóricos, como Wiener, Shannon e MacLean. Para Beltrán, com esse esquema o emissor não sofre questionamentos, podendo comunicar o que quiser ao receptor passivo e manipulável.
Outro que cita tais problemas sobre a aldeia global é Canclini (2005), mas este segue um olhar mais otimista e provavelmente menos ansioso. Para ele, hoje, de fato, há um forte processo de exclusão social, profissional e cultural, pois nem todos possuem acesso completo aos canais globalizadores, onde inclui-se a Internet. Porém, esse quadro pode mudar, como ocorreu com a televisão em seus primórdios. Segundo Canclini (2005: 215):

Numa análise das formas públicas de comunicação, diz-se que hoje “a televisão faz a pergunta e a Internet responde” (Peregil, El País, 29 abr. 2001). Oxalá fosse tão simples, mas a simplificação da fórmula sintetiza um processo que segue aproximadamente nesta direção.

Mas, apesar desse otimismo aparente, Canclini (2005) manifesta preocupações quanto ao efeito da chamada sociedade do conhecimento. E declara:

(...) os aspectos cognitivos e socioculturais estão distribuídos e ao apropriados de modos muito diversos. Geram diferenças, desigualdades e desconexões. Por isso, é arriscada a generalização do conceito de sociedade do conhecimento à totalidade do planeta., incluindo centenas de etnias e nações. Tal como outras designações de processos contemporâneos – “sociedade de consumo”, “globalização” –, requer especificar com cuidado seu âmbito de aplicação para não homogeneizar movimentos heterogêneos ou grupos sociais excluídos das modalidades hegemônicas do conhecimento. (CANCLINI, 2005: 225-226)

Mas Canclini (2005: 235) dialoga consigo mesmo ao recordar que “nas últimas décadas, multiplicaram-se os usos de tecnologias avançadas (computadores, satélites) por parte dos grupos indígenas e pobres suburbanos”. Para ele, tal crescimento demonstra a potencialidade da tecnologia em, efetivamente, oferecer á sociedade uma a condição de aldeia global.
Com a aldeia global, corre-se o risco de todos se tornarem reféns da classe dominante, da elite, dos incentivadores do consumo, de acordo com as idéias gramscianas. Mas, através dela, se a chamada democratização ocorrer, poderá se atingir um fortalecimento cultural da classe subalterna, em especial à latino-americana, que conseguirá ampliar o hibridismo cultural existente nestas sociedades, como defende Canclini (2006).
Porém, de acordo com Vilches (2003), a aldeia global deve ser revista, pois com o advento das novas tecnologias duas novas característica passou a fazer parte da estrutura comunicacional: a desmassificação, provocada pela segmentação dos conteúdos comunicacionais, e a interatividade, onde os usuários deixaram de ser objetos de manipulação para se transformarem em sujeitos que manipulam (VILCHES, 2003: 234), conceitos que reforçam as idéias deste artigo.

A produção de vídeos populares
O vídeo popular ganha força a partir do momento em que a tecnologia aproxima os subalternos das ferramentas de produção. Nos primórdios do cinema, era preciso investir altas cifras em produções audiovisuais. Todo e qualquer registro audiovisual era realizado apenas pela elite, como investidora ou mesmo produtora. Mas é preciso compreender o que significa vídeo popular, para então discutir seus poderes de reconstrução da cidadania. Segundo Santoro (1989: 59), “uma tentativa de conceituação da expressão “vídeo popular”deve partir, no nosso entender, do reconhecimento do conjunto das produções e dos modos de atuação dos grupos de vídeo junto aos movimentos populares”. Ainda segundo Santoro (1989: 60), divide-se o vídeo popular em cinco modalidades. São elas:

- a produção de vídeos por grupos ligados diretamente a movimentos populares, como sindicatos e associações de moradores de bairros;
- a produção de vídeo por instituições ligadas aos movimentos populares, como Igreja, centros de defesa dos direitos humanos;
- a produção vídeos por grupos independentes dos movimentos populares que desenvolvem conteúdos para atender aos interesses destes grupos;
- o processo de produção de vídeos com a participação direta de grupos populares;
- o processo de exibição de vídeos populares de interesse dos movimentos populares para informação, animação, conscientização e mobilização.

De acordo com os conceitos do autor, encontram-se nos produtos analisados neste trabalho as cinco categorias, todos disponibilizados no YouTube. Este material ganhou força com o advento da tecnologia digital, mas parte do material é proveniente de digitalização de materiais produzidos anteriormente, ainda na fase do produto audiovisual analógico, quando iniciou-se essa produção com relativa intensidade.
Santoro (1989) explica ainda que com a chegada do vídeo analógico as produções populares passaram a se manifestar, inicialmente de forma modesta, tímida, mas sofreu uma evolução gradativamente. As câmeras, de simples operação e com um custo decrescente devido à obsolescência provocada pelo rápido desenvolvimento tecnológico, passaram a conviver com alguns representantes de grupos sociais, que se esforçavam e conseguiam adquirir a ferramenta. Surgiu, então, um líder de grupo popular diferente da definição de Beltrão (In HOHLFELDT & GOBBI, 2004), capaz não somente de receber mensagens e reproduzi-las para seu grupo, mas também responsável por produzir coletivamente a mensagem de seu grupo e enviá-la ao líder de grupo da elite: os meios de comunicação de massa aos quais estes componentes também estão sujeitos, como a televisão e o vídeo-cassete, agora substituído pelo aparelho DVD.
Mas apesar da novidade, tais atividades de distribuição política e cultural, de caráter folkcomunicacional, ainda não conseguiam eficácia frente aos efeitos contrários produzidos pela mass media, devido, inclusive, à baixa qualidade dos materiais produzidos, graças às limitações tecnológicas. Até que chega a tecnologia de produção digital, que começou a ser ofertada ao mercado amador no início deste século. Através desta tecnologia, os vídeos passaram a contar com maior qualidade e uma diversidade de recursos, até então impossibilitados pelas câmeras analógicas. O mesmo aconteceu com os programas de edição, que passaram a compor sistemas operacionais de fácil obtenção, como o Windows XP, que traz em seu pacote básico o programa de edição de vídeo Windows Movie Maker, gratuitamente. Neste processo, novos formatos acabaram sendo definidos para cada fim. Segundo Santoro (1989: 95-97), os grupos populares que desenvolvem vídeos adotam diversas linguagens e aportes audiovisuais, descritas em seis tipos:

1. Autoscopia, que consiste em gravar reuniões, registrando-as, para que as mesmas possam ser assistidas e difundidas pelo grupo apenas para integrantes do grupo, vetadas aos não-integrantes. Estes vídeos não sofrem processos de edição por parte dos produtores;
2. Registro, onde gravam-se eventos ou fatos que sejam de interesse do grupo, semse preocupar com processos posteriores de edição, como ocorre no tipo de registro de autoscopia;
3. Edição simples, quando desenvolve-se um documentário manipulando um material já gravado. Desta forma, registros de fatos sociais ganham força midiática com aporte artístico;
4. Documentário, quando tem-se os objetivos das gravações previamente definidos. Normalmente, este tipo segue um roteiro de produção, assim como uma estética definida a fim de informar com maior força midiática e aporte artístico que o tipo “edição simples”;
5. Roteiro original, que possui uma melhor qualidade de topos os outros tipos, inclusive o documentário. Neste caso, apóia-se também na modalidade ficção, tendo como objetivo uma compreensão do grupo popular, e pode-se ampliar a reconstrução cidadã quando estendida a visualização para outros grupos;
6. Suporte, quando o grupo analisa programas previamente gravados e deste ponto desenvolvem-se discussões. Tal análise é ampliada pelo YouTube, ampliando o grupo e ilimitando o alcance destes fragmentos de análise.

Com esse desenvolvimento tecnológico, o mundo sofreu mudanças significativas. Atualmente, o maior país produtor audiovisual do mundo é a Índia, graças à possibilidade de produzir e exibir vídeos com baixo custo. O mesmo ocorreu no Brasil, onde vídeos populares passaram a ser produzidos, tanto do gênero documentário quanto ficção, ampliando as manifestações cidadãs e folkcomunicacionais para o espaço midiático.
Porém, o surgimento de tecnologias de produção nada resolveu para dar efetiva voz aos grupos subalternos, pois o maior problema de desigualdade na aldeia global é o espaço de difusão. De nada vale ter o domínio da palavra se a mudez o impede de dissipar tais idéias.

A cidadania ganha voz com o YouTube
Enquanto a Internet oferecia apenas produtos culturais elitistas ou filtrados pela elite, a aldeia global não contava com perspectivas.de cumprir suas promessas. Os poucos usuários, porém com crescente representatividade, pertencentes a este grupo sociocultural e econômico recebiam o que os “senhores da indústria cultural” definiam como ideal para consumo.
Mas o dinamismo da Internet desenvolveu um novo ciberespaço para o consumo cultural mais próximo de cumprir as promessas cobradas por Santos (1999), com uma democracia ao alcance de qualquer usuário: o YouTube, que agora oferece aos usuários um novo ambiente, um novo modo de fazer e pensar sobre televisão. Segundo Islas :

YouTube representa el principal referente de la nueva televisión en Internet. Por esa sencilla razón, en octubre del año pasado, Google concretó la adquisición de YouTube mediante una operación millonaria.

Através deste espaço, qualquer usuário cadastrado gratuitamente pode disponibilizar vídeos para exibição gratuita. Para isso, basta atender às especificações técnicas deste material, que servem somente apenas simplificam a produção. Tais efeitos midiáticos do YouTube merecem novos estudos, de acordo com as idéias de González (1994: 51), para quem:

Acontece que a maioria das análises tem sido desenvolvidas privilegiando o aspecto de distinção entre as classes, mas a cultura, além de distinguir, une e identifica. É por isso que a meu juízo nos falta uma categoria complementar que nos permita pensar e analisar também os espaços de onde se produzem e reproduzem ou desestruturam as identidades, ou seja, aquelas áreas do social onde culturas “desniveladas” se encontram e se reconhecem em estruturas de significados similares, mas cada classe, sem problema, ao seu modo.

Para se cadastrar no YouTube basta estar conectado à Internet e informar os dados básicos, como e-mail, nome, etc. Em seguida, pode-se enviar vídeos para exibição de qualquer tema, contanto que estes possuam uma duração máxima de 10 minutos (o ideal neste espaço é que possua uma duração em torno de 4 minutos) e um tamanho máximo de 100 Megabites. Com isso, o vídeo terá uma qualidade limitada, o que diminui as diferenças entre produtos audiovisuais captados por equipamentos profissionais e obras realizadas por câmeras caseiras ou mesmo aparelhos celulares, tendo em vista que hoje em dia estes equipamentos são de simples aquisição e comuns na grande massa.
O YouTube, criado por Chad Hurley, 29 anos, e Steven Chen, 27 anos, em 2005, possui hoje dados de acesso que têm impressionado especialistas. Em maio de 2006, o site atingiu a marca de 40 milhões de vídeos exibidos diariamente. Em junho do mesmo ano, o site alcançou a média de 100 milhões de exibições/dia, com o total de 2,5 bilhões de vídeos exibidos, com uma média de 65 mil novos vídeos sendo enviados diariamente, segundo Fortes (2006, p.34). Com isso, o mercado audiovisual ganhou, efetivamente, um novo espaço alternativo, de caráter massivo e democrático.
Os vídeos postados no YouTube pertencem a diversas linhas temáticas (MARTHE, 2006: 90). Algumas produções caseiras são do gênero ficção, a maioria comédia. Além disso, existem registros de entrevistas, vídeos antigos e documentários. Estes materiais são ligados a outros sítios, assim como aos blogs, e passam a ser assistidos com maior intensidade, e é possível definir grupos de acesso aos produtos audiovisuais disponíveis, o que amplia a fragmentação e a objetividade da comunicação, quando necessário. Outro diferencial é a possibilidade de se definir um roll de palavras-chave, facilitando a busca pelos materiais audiovisuais.

Discursos cidadãos presentes no YouTube
Para compreender a participação do YouTube no processo da difusão dos conceitos de cidadania e de mobilização popular levantou-se a condição quantitativa de seu acervo na tentativa de alcançar dados representativos deste recorte. Para tanto, definiu-se um conjunto de palavras-chave (tags) para buscar no sítio através de suas ferramentas de busca.
A palavra-chave inicialmente procurada, ‘vídeo popular”, ofereceu uma relação de 93 vídeos, a maioria de conteúdo relacionado a manifestações folclóricas. Porém, de acordo com as idéias de Beltrão (2001), o folclore é um forte agente de informação de questões sociais e cidadãs, o que valida a busca por tal terminologia.
A segunda busca foi realizada através da palavra-chave “cidadania”. O termo, que define diretamente a intenção da busca, encontrou 838 vídeos relacionados com o tema, a maioria de teor político e educacional, porém em português. Porém, algumas obras apresentadas são do tipo “suporte”, o que provoca análise de seu conteúdo por integrantes do grupo publicador e por pertencentes a outros grupos
Em seguida, buscou-se uma relação de vídeos através da terminologia “ciudadania”. O objetivo de adotar-se palavra-chave em castelhano deve-se à necessidade de se provocar um comparativo quantitativo entre a discussão por grupos hispânicos, e não somente lusófonos. Com este tag, chegou-se ao resultado de 629 vídeos, quase a mesma quantidade que a versão anterior.
Em uma nova análise, buscou-se uma relação audiovisual com a adoção do tag “social”, o que proporcionou uma surpreendente relação de 69.600 vídeos. Mas o número engana, pois parte deste material não contribui com a reconstrução da cidadania pelos grupos subalternos, ficando apenas no campo do entretenimento, em alguns dos casos analisados totalmente distante do social.
Buscou-se pela palavra-chave “política social”e chegou-se a um total de 53 vídeos, a maioria do tipo “suporte”, como constatada pelo tag “cidadania”. Em contrapartida, constatou-se um total de 25.100 vídeos quando buscou-se pelo tag “política”, com as mais diversas discussões de conteúdo, inclusive não relacionadas com o tema.
Quando procurou-se pelo termo “popular”, chegou-se ao resultado ainda mais surpreendente de aproximadamente 225.000 vídeos. Neste caso, percebeu-se que os 30 primeiros vídeos oferecidos discutiam o assunto popular, tanto no que se refere à socialização da educação e da cultura como em uma nova democracia popular em busca de igualdade.
Por fim, buscou-se pelo termo “popular en América Latina”, chegando-se à relação de 37 vídeos. Tais fragmentos audiovisuais oferecem tanto músicas populares latino-americanas como discussões sobre a questão do popular nos países da América Latina.

Conclusão
Com a chegada do YouTube, as perspectivas de uma possível participação do cidadão na estrutura comunicacional da aldeia global passaram a ganhar força. Através dele, a classe subalterna ganha status de agente emissor de seus protestos e de sua cultura popular.
Pelo YouTube, grupos populares já se mobilizam e desenvolvem neste ambiente midiático discussões de significativa importância para a reconstrução da cidadania. Também através do ambiente, grupos políticos passaram a se manifestar com maior intensidade e alcance, o que fortaleceu seus projetos de ampliação e difusão de idéias. O YouTube se transforma, desta forma, em um responsável pela democracia social e cultural que a sociedade contemporânea tem à sua disposição.
Percebe-se, também, que através do YouTube os grupos sociais passaram a difundir suas idéias, crenças e costumes. E, através deste espaço ciberespacial, pode-se construir um hibridismo cultural capaz, inclusive, de combater a homogeneidade provocada pelos interesses neoliberais, presentes nos produtos da indústria cultural, criticada pela escola de Frankfurt exatamente por seus efeitos.
A participação de vídeos brasileiros e latino-americanos já é intensa. A taxa de participação do Brasil nos acessos do YouTube já é de 19,1% . Vale ressaltar que esses números sofrem alterações constantes, pois novos vídeos são publicados diariamente no YouTube. No entanto, os que existem atualmente reforçam o papel do sítio na interlocução entre os marginalizados e a elite, tendo o primeiro como efetivo emissor de suas idéias e de seus protestos políticos, sociais, culturais e cidadãos. Desta forma, surge uma nova forma de re-imaginar a cidadania nos meios através dos recursos oferecidos pela cibercomunicação audiovisual.

Bibliografia
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CANCLINI, Néstor Garcia (2005). Diferentes, desiguais e desconectados. Rio de Janeiro: Editora UFRJ.
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SANTOS, Boaventura de Souza (1999). Pela mão de Alice: o social e o político na pós-modernidade. São Paulo: Cortez.

SOARES, Ismar de Oliveira. Comunicação & neoliberalismo: a vigência das políticas (alternativas) de comunicação In MARQUES DE MELO, José & BRITTES, Juçara Gorski (orgs.) (1998). A trajetória comunicacional de Luiz Ramiro Beltrán. São Bernardo do Campo: Editora UMESP, p. 63-73.

VILCHES, Lorenzo (2003). A migração digital. São Paulo: Editora Loyola.

Webgrafia
YouTube. Disponível em http://www.youtube.com  . Acessado em 05/10/2007.



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